"Amor, amor… Faz frio aí também? O inverno vem se anunciando - dentro do meu peito e fora de casa - com ventos ruidosos arranhando o vidro com as garras das árvores. Parece um cenário de pesadelo. Perdi a noção do tempo e do sono. Já não sei mais quando estou dormindo e quando estou acordada. Fechei todas as janelas da casa. Passo os dias a observar a poeira se acumulando nos cantos. Respiro com dificuldade e uma tosse incômoda mora em mim agora. Onde está você, amor? Me diz porque não me diz mais… Sinto tanto tua falta, tanto. Sinto tanto que dói em partes do corpo que nunca senti. Você vai voltar, não vai? Promete? Me jura por esse céu que cobre nossos sonhos e pensamentos? Tem dias que me coloco de pé perante a porta, esperando abri-la com um sorriso pra você. Chego a escutar sua voz às vezes. Chego a conversar com você. E quando penso em tocar teu rosto e selar com um beijo nosso encontro, você se desfaz feito fumaça. Me ponho a chorar, encostada na cabeceira da cama pensando em o quão injusta é a vida por te afastar assim de mim. Te amo, te amo, te amo, meu amor! Vou te repetir isso tantas vezes quando você puder ouvir, que você vai enjoar da minha voz que você sempre gostou tanto."
Sempre sua, Cecília.